Putz, e agora? A empresa parou e o DBA era eu
Por Fabrício Lima · CEO Power Tuning · Agosto de 2026 · LinkedIn ↗ · YouTube ↗
Gravei um episódio do podcast Putz, e agora?, do Cassio Politi, da Tracto. A ideia do programa é boa: cada convidado conta um momento em que a coisa deu errado de verdade e o que ele fez ali.
Contei uma história de uns 15 anos atrás, quando eu era o único DBA de uma financeira. São 29 minutos. Dá para ouvir aqui mesmo:
| Ouça aqui no Spotify |
O dia em que a empresa inteira parou
Era uma operação de cartão de crédito com cerca de 2 milhões de clientes e 3 mil funcionários. Milhares de lojistas passando cartão na rua o tempo todo. Tudo aquilo rodava em cima do banco de dados, e o banco de dados rodava em cima de mim. Quando dava problema, eu olhava para os lados e não tinha mais ninguém.
Numa tarde qualquer, o banco caiu. Do nada todo mundo começou a reclamar ao mesmo tempo. Fui investigar e descobri que uma pasta de dados tinha sumido do storage. Sem ela, o serviço não subia. A empresa travou: sem venda, sem cartão passando, sem operação.
| ❝ Era o meu gerente e todo mundo com a mãozinha no meu ombro. E aí, quando volta? Pode ser agora? |
Por que esse “putz, e agora?” foi controlado
Eu já tinha estudado aquele tipo de falha. Sabia que existia um procedimento, por linha de comando, naquela telinha preta, para recuperar o banco apontando para um disco novo no lugar do que tinha sumido. Não era simples, e um comando errado piorava tudo.
Sentei com um colega do lado e fui digitando linha por linha. Por dentro eu tremia de nervoso. Por fora, fingia tranquilidade, para não passar o meu pânico para a sala. Troquei o disco que tinha sumido por outro, subi o serviço e, em cinco ou dez minutos no máximo, o banco voltou. A operação voltou junto.
Foi rápido, mas a pressão daqueles minutos ficou. Quinze anos depois eu ainda lembro do layout da sala, de onde eu estava sentado e de quem estava em volta.
| A diferença não foi sangue-frio nem sorte. Foi ter estudado aquele procedimento antes de precisar dele. Se eu não soubesse, aí sim tinha lascado. |
O que eu tirei disso
Não dá para se preparar para tudo. Sempre vai aparecer um problema que você nunca viu. Só que quanto mais você lê, estuda e simula tipos de falha antes, menor fica o impacto da pressão quando o problema real chega.
Se eu não soubesse o procedimento, ia ter que sair pesquisando no Google com a empresa parada e o chefe no ombro, tentando aprender na hora a coisa mais difícil de aprender sob pânico. Como eu já tinha a base, foi diferente: reconheci o problema, lembrei que existia um caminho, fui lá e executei.
Quem não se prepara vive travando. Quem estuda e pratica, quando o problema vem, sabe resolver. A pressão não some, mas deixa de assustar.
O desdobramento
Eu gostei tanto de resolver esse tipo de problema que comecei a fazer o mesmo para outras empresas, à noite e nos fins de semana. Aí veio um “putz, e agora?” de outra natureza: larguei dez anos de CLT estável para viver disso.
Hoje a Power Tuning cuida de banco de dados para centenas de empresas, com um time de mais de 100 pessoas. A diferença é que naquela tarde eu olhava para o lado e não tinha ninguém. Hoje quem está na ponta sempre tem um colega para dividir o problema.
✓ Estude o tipo de falha antes de precisar dela.
✓ Sob pressão, o que salva é reconhecer o problema, não improvisar.
✓ Não dá para se preparar para tudo, mas dá para diminuir o tamanho do susto.
✓ Ninguém deveria ser o único responsável por uma operação crítica.
Episódio completo: Putz, e agora? no Spotify ↗
O podcast também está no Apple Podcasts, Deezer, Amazon Music e nos demais agregadores. Todos os episódios: Putz, e agora? ↗
Essa história faz parte de uma jornada maior, que eu conto na newsletter De Estagiário a CEO ↗, no LinkedIn.
Aqui no blog, a série completa está em De Estagiário a CEO ↗.
Obrigado ao Cassio Politi pelo convite e pela condução da conversa.

Grande Fabricio! Histórias de empreendedores na vida real sempre enriquecem a gente. Eu é que agradeço a você a conversa. Forte abraço.
Show. Obrigado novamente!