De Estagiário a CEO – O que eu fiz para conquistar a vaga de DBA #06
Por Fabrício Lima · CEO Power Tuning · Agosto de 2026 · LinkedIn ↗ · YouTube ↗

Fala Pessoal,
No episódio 05 contei a função de 1.500 linhas que eu refiz e o pesadelo das faturas de cartão (2006 a 2008).
Hoje vou contar o que eu fiz para conquistar a vaga de DBA da empresa, lá no fim de 2008.
Não foi sorte e não foi só conhecimento técnico. Foram várias coisas somadas, e algumas delas não têm nada a ver com SQL Server.
(Quem quiser começar do início, a série completa está listada no fim do post.)
O DBA da empresa se chamava Giancarlo
A Dacasa tinha um DBA: o Giancarlo Jordão. Brother, e cara que me ensinou muita coisa.
Tinha também o Carlos Vieira, o Carlão. Ele era da infra e era instrutor Microsoft. A empresa investia em curso interno, e foi ele quem deu treinamento de SQL Server pra gente.
Foram várias coisas somadas que me levaram até aquela vaga. Vou por partes.
Certificação estudada nas férias
Eu ia atrás por fora: curso, palestra, artigo, o que aparecesse.
E vem aqui uma parte que eu nunca contei direito. Eu tinha faculdade de dia e trabalho no resto do tempo. Não sobrava hora pra estudar pra certificação, ainda mais prova em inglês, de assunto que eu não dominava.
Então eu tirava férias pra estudar. Ficava em casa estudando pra prova. Depois fazia e passava. Foram umas duas ou três certificações assim.
| O resto das férias eu sempre vendia. Nem dinheiro pra viajar eu tinha naquela época, então o que eu tinha de sobra era tempo, e eu botei o tempo em estudo. |
Essas provas foram muito importantes pra eu chegar lá. Não pelo papel em si, mas porque elas demonstravam duas coisas: conhecimento e dedicação.
Eu ficava de olho no crescimento da empresa
E tinha um hábito meu que ninguém sabia.
Eu fazia SELECT nas tabelas de cliente e de transação de cartão só pra ver os números subindo. Não era pedido de ninguém, não ia pra relatório nenhum. Era eu vendo a empresa crescer.
E eu olhava aquilo pensando numa coisa: empresa que cresce abre oportunidade. Mais cliente, mais transação, mais sistema, mais banco de dados. Uma hora ia precisar de mais gente, e eu queria estar pronto quando precisasse.
E olha que eu não ganhava PLR, não tinha comissão de venda, não tinha nada atrelado ao resultado da empresa. Aquilo não ia pro meu bolso de jeito nenhum.
| ❝ Era um sentimento de dono nascendo ali, sem eu ser dono e sem eu nem pensar nisso. Ninguém falava disso em 2008. |
E aqui vai uma coisa que eu só percebi agora, escrevendo essa série.
Quem me acompanha sabe que eu sou fissurado em números. Vivo listando e comemorando os marcos de crescimento da Power Tuning. Achava que isso tinha nascido comigo como CEO.
| Não nasceu. Eu já fazia exatamente isso na Dacasa, em 2008. Só que lá não era público. Era só pro meu acompanhamento. |
Eu sentava ao lado do DBA e tentava acompanhar tudo
Mas o que mais me preparou pra vaga foi ficar do lado de quem já fazia aquele trabalho.
Em um dos layouts da área, eu fiquei sentado bem do lado dele. E eu sou curioso.
Eu via os problemas que apareciam no banco, via como ele resolvia, acompanhava os e-mails que ele trocava com o time de desenvolvimento sobre as melhorias. Achava aquilo o máximo.
E perguntava. Perguntava muito. Atrapalhei o trabalho dele um bocado, sendo honesto. Mas ele tinha paciência e ia me ensinando.
Aí veio o primeiro passo de verdade: quando o DBA saía de férias, as atividades precisavam de alguém.
No começo quem tocava as coisas era a minha chefe, a Carla Marchesi. E eu aprendia com ela também. Ficava junto, via como ela decidia, entendia o porquê.
Até o dia em que eu passei a tocar. Com a Carla por perto pra qualquer dúvida mais complexa, mas era eu começando a ter que pensar nos problemas de DBA com mais responsabilidade.
Ajudar nas férias dos outros não aparece em plano de carreira nenhum. Ninguém é promovido por isso. Mas foi ajudando nas férias dele que eu fui aprendendo a função inteira, anos antes de ter o cargo.
As soluções de problema
Teve mais uma coisa na conta.
Lembra da função de 1.500 linhas do episódio anterior? Ela não foi um caso isolado.
Nesses dois anos como analista eu resolvi bastante coisa. Rotina que estava errada, processo que travava, problema que aparecia e alguém tinha que dar um jeito. Isso contou muito.
Quando alguém precisa decidir se te confia uma responsabilidade maior, o que pesa é o histórico. E o meu histórico dizia que, quando aparecia um problema feio, eu resolvia.
Não foi só a parte técnica
Se você me perguntar o que pesou pra eu conseguir aquela vaga, eu ia listar as certificações, os problemas que eu resolvi e o tempo ajudando nas férias do DBA.
Mas tem uma parte que quase ninguém conta nesse tipo de história, e ela também contou.
Eu não arrumava problema com ninguém. Não reclamava de nada. Tinha boa relação com o meu setor, com as outras áreas e com o pessoal do negócio que eu atendia nos relatórios e nas rotinas de cartão.
O time de atendimento ao cliente de cartão me procurava direto quando dava problema com fatura. E a gente conversava muito sobre isso.
Lembra do pesadelo das faturas que eu contei no episódio anterior? Pois é. Quando dava problema, tinha gente do outro lado atendendo cliente irritado. Eu era quem eles procuravam.
| ❝ Não dá pra medir quanto isso pesou. Mas contribuiu, com certeza. E até hoje eu acho isso muito importante. |
Nenhuma dessas coisas aparece em certificação. Nenhuma delas você estuda. Mas quando abre uma vaga e alguém precisa decidir em quem confiar, isso está na conta.
O Giancarlo saiu
Um dia o Giancarlo arrumou uma vaga melhor. Salário maior, desafio novo. Foi. Merecia.
E ficou a vaga de DBA da empresa aberta.
Eu tinha sentado do lado dele e tentado acompanhar tudo que dava. Tinha ajudado nas férias dele. Tinha estudado em casa, lido blog, lido livro, tirado certificação estudando nas férias em vez de descansar. E tinha um histórico de resolver o que aparecia.
A Carla Marchesi confiou em mim. E eu assumi.
Eu estava 100% preparado pra assumir esse cargo?
Não estava.
A minha chefe correu risco. Eu corri risco.
Mas a vida é assim, cheia de riscos.
| Eu não estava 100%. Mas eu tinha o que era preciso pra chegar no 100%. |
E receber aquele voto de confiança aumentou ainda mais a pressão e a responsabilidade pra fazer dar certo.
Lá no episódio 03 eu falei que a tal sorte é estar preparado quando a oportunidade aparece. Aqui está a prova. Se eu não tivesse ficado do lado do DBA perguntando, me oferecendo pra ajudar, estudando em casa e resolvendo o que aparecia, a vaga teria aberto do mesmo jeito. Só que não pra mim.
Vinte anos depois, eu faço a mesma coisa
Aquela decisão da Carla virou política de empresa na Power Tuning.
O que a gente mais faz aqui é dar a oportunidade de crescer pro time interno antes de contratar alguém de fora. Quase não contratamos sênior. A gente forma os nossos.
Temos vários casos de gente que começou do zero em SQL Server. Trainee, estagiário, júnior. E hoje ocupam cargos de liderança na empresa. Cresceram, e cresceram muito. Evoluíram demais tecnicamente.
| Não foi caridade. Foi merecimento. |
Antes de abrir vaga pra fora, olha pro time que você já tem. Pode ter alguém aí dentro se preparando há tempos sem você saber. Foi o que a minha chefe fez comigo em 2008, e é o que eu faço até hoje.
O que vem no episódio 07
Cadeira nova, responsabilidade nova. Conto como era o meu dia a dia como DBA, o trabalho que eu mais fazia por lá e uma habilidade que eu desenvolvi e que vale tanto quanto a parte técnica. E conto o job que falhou na madrugada da minha lua de mel.
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Episódio 01 – A escolha da profissão · 2002
Episódio 02 – Os primeiros anos de faculdade · 2003 a 2005
Episódio 03 – O início da carreira profissional · 2005 e 2006
Episódio 04 – As primeiras semanas com SQL Server · 2006
Episódio 05 – A função de 1.500 linhas e o pesadelo das faturas · 2006 a 2008
Episódio 06 – O que eu fiz para conquistar a vaga de DBA · 2008 · você está aqui
Episódio 07 – em breve
E vocês? Já conquistaram uma vaga que, no papel, não era de vocês?
Comentem aí. Quero saber o que vocês acham que pesou na decisão.
Abraços,
Fabrício Lima
CEO e fundador da Power Tuning
