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De Estagiário a CEO – O dia a dia de DBA e o job que falhou na minha lua de mel #07

Por Fabrício Lima · CEO Power Tuning · Agosto de 2026 · LinkedIn ↗ · YouTube ↗

Fala Pessoal,

No episódio 06 contei o que eu fiz para conquistar a vaga de DBA da empresa, lá no fim de 2008.

Hoje conto como era o dia a dia nessa cadeira. O trabalho que ocupava a maior parte do meu tempo, uma habilidade que vale tanto quanto a parte técnica, e o job que falhou na madrugada da minha lua de mel.

(Quem quiser começar do início, a série completa está listada no fim do post.)


Tuning era o que eu mais fazia por lá

De longe, o trabalho que mais ocupou os meus dias como DBA foi tuning.

O tempo inteiro. E é assim até hoje: em um SQL Server sempre tem alguma coisa pra resolver, pra mudar, pra melhorar. Não acaba.

E isso chegava até mim por dois caminhos bem diferentes.

O primeiro era o incêndio. O sistema dava timeout, o usuário reclamava, e eu tinha que achar o que estava travando e resolver na hora.

O segundo era quando não tinha incêndio nenhum. Aí eu ia atrás por conta própria: procurava a query pesada, a procedure lenta, o que estava prestes a dar problema. Ninguém me pedia. Procurar e resolver já era o meu trabalho.

E o time de desenvolvimento era interno, ficava ali do lado. Então eu pegava a melhoria e levava direto pra eles.

Não vou inventar número aqui porque não lembro de nenhum caso específico. Mas o tipo de ganho era esse: rotina de horas que passa a rodar em minutos, de minutos pra segundos, de segundos pra milésimos. Quem é DBA sabe do que eu estou falando, é o pão de cada dia. É o mesmo tipo de resultado que a Power Tuning entrega nos clientes todo mês.


O problema do trabalho bem-feito

E aí está a ironia da profissão.

Quando você faz tuning bem-feito, o resultado é que nada acontece. O ambiente roda, ninguém liga reclamando, e todo mundo acha que o sistema sempre foi rápido daquele jeito.

Se eu melhorasse tudo e ficasse quieto no meu canto, a minha líder nunca ia ver. Trabalho bem-feito de banco de dados é invisível por natureza.

Então eu fazia o seguinte: eu mostrava.


O e-mail que eu mandava

Toda melhoria relevante virava um e-mail. E o e-mail tinha sempre a mesma estrutura:

O que ia no e-mail

  1. Qual era o problema, em uma frase.
  2. O que eu mudei.
  3. A melhoria que deu: o antes e o depois.
  4. O que eu precisava: “podemos subir em produção?”

Quem ia em cópia

Os responsáveis pelo sistema afetado.
E a minha líder. Sempre.

Claro, didático, visual. Escrito de um jeito que o desenvolvedor entendesse e que o gestor também entendesse. Sem jargão desnecessário e sem parecer que eu estava dando bronca em ninguém.

A lição do episódio

Saber vender o próprio trabalho (escrever bem, falar bem, explicar de forma clara e visual) é uma skill tão importante quanto a técnica. Vale internamente com o seu chefe e vale pro cliente. Eu sempre fiz isso bem, e boa parte do que aconteceu comigo depois veio daí.


Isso não é aparecer. É a outra metade do trabalho

Antes que alguém entenda errado.

Isso não é mandar e-mail bonito sem ter feito nada. Esse tipo de gente todo mundo identifica, e não dura muito.

É nessa ordem: primeiro o trabalho bom, depois mostrar. Só que tem muita gente boa que faz só a primeira parte e fica se perguntando por que o cara do lado, que entrega menos, está crescendo mais rápido que ela.

A Power Tuning faz um trabalho bom e mostra pro cliente que faz. É a mesma coisa que eu fazia com e-mail dentro da Dacasa, só que quase 20 anos depois e em outra escala.

Se você é gestor lendo isso

Pensa pelo outro lado. Aquele profissional de infra ou de banco que nunca te manda notícia pode não ser o que menos entrega, e sim o que menos sabe se comunicar. Pergunta pra ele o que resolveu no mês. Você pode estar com um talento escondido aí no time.


O job que falhou na madrugada da minha lua de mel

Agora a história que eu lembro até hoje.

Casei às 19h do dia 17 de janeiro de 2009. Tinha virado DBA fazia pouco tempo.

Dormimos aquela noite no nosso apartamento novo, porque a viagem era no dia seguinte.

Acordei e vi a mensagem de falha do job da cobrança.

Era um job que rodava todo dia, processava toda a parte de cobrança da financeira e mandava os dados pras empresas de cobrança. Muito dado, muitos passos. Mais uma rotina traumática da minha vida de DBA por lá. kkk

Esse job nem era a minha especialidade. Mas quando ele falhava, o banco amanhecia travado de lock. E aí virava meu problema de qualquer jeito.

Ninguém me pediu nada. Não tinha ninguém do outro lado esperando que eu resolvesse, ainda mais naquele dia. Eu podia ter feito o óbvio: casei, estou fora, alguém que se vire.

Só que não ia me matar dar uma olhada. Fui lá e olhei.

Aí mandei mensagem pra uma pessoa do time. A resposta foi: “larga isso e vai curtir”. kkk

Mas era isso. Era automático. Estava no sangue.

Isso nunca me largou

Muita coisa nessa série eu estou descobrindo agora: veio lá de trás e virou parte de mim, não importava onde eu estivesse.

Empreendendo, fica mais forte ainda. Não tem dia, não tem hora.

Hoje a Power Tuning tem escala, revezamento e sobreaviso. Ninguém precisa acordar de madrugada sozinho, e eu não preciso ser aquele cara.

E mesmo assim eu olho. Vejo as mensagens, quero saber como está.

É como deixar seu filho com alguém em quem você confia de verdade. Você fica tranquilo. Mas acompanha pra saber se está tudo bem.

Eu viajo e espaireço. Só que ninguém passa dias sem pedir notícia de um filho.


O que vem no episódio 08

2010. O ano em que eu descobri que não sabia estudar, e que dois posts de blog de outra pessoa mudaram o rumo da minha carreira. É desse ano que nasce o meu blog, que anos depois ajudaria a fundar a Power Tuning.

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A série até aqui

Episódio 01 – A escolha da profissão · 2002
Episódio 02 – Os primeiros anos de faculdade · 2003 a 2005
Episódio 03 – O início da carreira profissional · 2005 e 2006
Episódio 04 – As primeiras semanas com SQL Server · 2006
Episódio 05 – A função de 1.500 linhas e o pesadelo das faturas · 2006 a 2008
Episódio 06 – O que eu fiz para conquistar a vaga de DBA · 2008
Episódio 07 – O dia a dia de DBA e o job da lua de mel · 2009 · você está aqui
Episódio 08 – em breve

E vocês? Já foram atrás de um problema do trabalho num dia que não precisavam ir?

Comentem aí. Aposto que tem história melhor que a minha.

Abraços,

Fabrício Lima
CEO e fundador da Power Tuning

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