Adibe, Facchini, Apolinário e Fátima Pissarra: o que é, de verdade, ser CEO
O que é ser CEO: liderança, desafios e bastidores na mesa do Conselho
Flávio Augusto reuniu João Adibe (Cimed), Apolinário (Construtora Apolinário), Fátima Pissarra (Mynd) e Marcelo Facchini (Madero) para discutir o que ninguém te conta sobre estar na cadeira do CEO. Caminhos diferentes, problemas iguais.
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~2h
Autor
Fabrício Lima · CEO Power Tuning · LinkedIn ↗ · YouTube ↗
Sobre o que é
O Conselho é um formato que o Flávio Augusto acerta consistentemente: junta empresários que vieram de caminhos diferentes e força uma conversa honesta sobre os mesmos temas. Nessa edição, o tema é “o que é ser CEO” — a cadeira que muita gente quer mas pouca gente entende o tamanho. Quatro convidados, quatro trajetórias, e um conjunto de dores que se repete em todas: solidão, política interna, dificuldade de delegar, peso emocional. Esse post resume os 7 pontos principais e termina com minha opinião pessoal.
👥 Quem estava na mesa
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João Adibe CIMED Farmacêutica Pegou a empresa do pai e transformou em uma das maiores farmacêuticas do Brasil. Estilo direto, “barriga no balcão”. |
Apolinário Construtora Apolinário Construiu do zero. Ficou famoso por testar e abandonar publicamente o modelo de “30 comitês” decidindo tudo. |
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Fátima Pissarra Mynd Caminho corporativo até virar CEO. Pivotou a empresa na pandemia e cresceu o que era pra encolher. |
Marcelo Facchini Madero Construiu a rede do zero, virou fenômeno, e passou 35 dias em coma — voltou e contou tudo abertamente. |
🚀 Como se torna um CEO?
A pergunta que abriu a conversa expôs duas trilhas distintas. Não é “uma é melhor que a outra” — é entender que o ponto de partida define quais músculos você tem que desenvolver depois:
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Caminho 1 · Subir os degraus Corporativo (Fátima) Acumular responsabilidade, demonstrar resultado em escala. Quando vira CEO, já tem domínio de gestão — falta só o peso da decisão final, e o lado humano do cargo. |
Caminho 2 · Construir do zero Fundador (Adibe, Apolinário) Você é CEO desde o dia 1, mesmo sem saber. Aprende batendo cabeça, sem rede de proteção. Vai construindo competência de gestão depois que a empresa já cresceu — e às vezes tarde demais. |
Os dois consenso na mesa: não existe atalho. O que diferencia um CEO bom é o que ele faz quando não tem manual — e isso só se aprende vivendo o problema.
💡 A leitura pro empresário: não importa de onde você veio — importa o que você está fazendo agora pra cobrir o que falta. Fundador precisa correr atrás de gestão. CEO contratado precisa correr atrás do peso da decisão. Quem ignora isso quebra.
🎯 As 3 habilidades inegociáveis
1. Visão holística — Apolinário
Entender finanças, vendas, operação, RH e jurídico no nível mínimo necessário pra tomar decisão. Quem só sabe de uma área toma decisão errada nas outras quatro. CEO não precisa virar especialista em tudo, mas precisa enxergar o jogo inteiro pra não ser refém de qualquer diretor.
2. Foco em vendas — Adibe
CEO bom não terceiriza venda. Pode não fechar o pedido, mas tem que entender o pipeline, conhecer cliente grande, estar dentro da conversa comercial. Como Adibe falou com todas as letras: “Se a empresa não vende, nada do resto importa.”
3. Inteligência emocional — Fátima
Lidar com pressão, crise, demissão difícil, conflito entre diretores. Quem perde a cabeça em momento de tensão perde o time junto. Liderança é regulação emocional aplicada a decisão — e a pressão real só aparece depois que você senta na cadeira.
🪑 Rotina e delegação: o erro dos 30 comitês
O melhor momento da live foi o Apolinário descrevendo um erro próprio: criou 30 comitês achando que estava delegando. Resultado — todo mundo opina, ninguém decide. Ele matou os 30 e voltou pra um processo direto.
❝ “Comitê demais é fuga da decisão. Você dilui responsabilidade no grupo e ninguém é dono de nada. Pior que centralizar é fingir que descentralizou.”
Adibe contrapõe com a expressão que virou marca dele — “barriga no balcão”. CEO precisa estar onde a coisa acontece. Ele passa 50% do tempo com pessoas: clientes, time, fornecedores. Não é micromanagement, é presença.
Facchini complementa com a rotina dele: agenda blocada por prioridade, não por demanda. Quem decide o que entra na sua semana é o CEO, não a caixa de e-mail.
💡 A leitura pro empresário: tem 3 reuniões na sua agenda essa semana que ninguém vai sentir falta se você cancelar? Provavelmente sim. Quem deixa a agenda virar caixa de demanda nunca lidera — só responde.
⚡ Politicagem interna: a resposta unânime
Os 4 concordaram, sem hesitação
Política interna é insustentável. Empresa onde quem cresce é quem tem mais relacionamento, não quem entrega — vira tóxica e perde os melhores.
O antídoto que apareceu em todas as falas: KPIs claros, públicos e cobrados. Quando o critério de promoção é número, fofoca perde valor.
💡 A leitura pro empresário: se você não consegue listar os 3 KPIs que cada diretor seu tem que entregar esse trimestre, sua empresa já está em risco de virar política. KPI escrito mata fofoca.
💔 O peso da cadeira (a parte humana)
Esse foi o momento mais humano da conversa. Os dois exemplos mais marcantes:
Facchini · Madero
35 dias em coma
Sofreu acidente, ficou inconsciente por mais de um mês. Quando voltou, a empresa estava de pé. Ele falou abertamente sobre o impacto — e sobre o paradoxo: era a prova de que tinha construído algo que não dependia dele, mas ao mesmo tempo o lembrete brutal de que CEO é mortal como qualquer outro.
Fátima · Mynd
Pivot na pandemia
A Mynd dependia de eventos presenciais. Pandemia chegou, modelo morreu de um dia pro outro. Em vez de demitir e segurar, ela reescreveu a operação em semanas. Saiu da pandemia maior do que entrou. A frase dela: “Em crise, quem hesita morre. Pivote rápido ou pivote nunca.”
💡 A leitura pro empresário: empresa boa é aquela que sobrevive 35 dias sem o CEO. Empresa frágil é aquela onde o CEO falta um dia e pega fogo. Onde a sua está nessa escala?
💬 As 4 frases que ficaram
❝ “Comitê demais é fuga da decisão.”
— Apolinário
❝ “Se a empresa não vende, nada do resto importa.”
— Adibe
❝ “Em crise, quem hesita morre. Pivote rápido ou pivote nunca.”
— Fátima
❝ “A vitória de verdade é quando a empresa funciona melhor sem você presente.”
— Facchini
📝 A leitura
Caminho diferente, dor igual
Os 4 da mesa vieram de pontos opostos. Adibe herdou empresa, Apolinário e Facchini construíram do zero, Fátima subiu o degrau corporativo. E mesmo assim, as dores que eles descreveram são quase idênticas: dificuldade de delegar, peso da decisão final, política interna, solidão. Inteligência emocional como gargalo.
O que essa conversa expõe é uma verdade pouco conveniente: a cadeira de CEO é a mesma cadeira, independente de como cada um chegou nela. Quem entende isso cedo busca apoio, mentoria, conselho. Quem acha que sua trajetória é única sofre sozinho.
💭 Minha opinião — sem IA, 100% Fabrício
Quando CEOs de sucesso falam, quem está empreendendo tem que parar e ouvir.
O ponto que me bateu mais nessa live foi o “barriga no balcão” do Adibe. Eu trabalho grande parte do meu tempo remoto, no meu home office. E ouvir um cara como ele defendendo presença diária, ir onde a coisa acontece, conhecer cliente pessoalmente — isso me faz ficar me martelando.
Fica o desafio: como ter mais barriga no balcão na rotina da Power Tuning? Não é resposta de uma noite. Mas é pergunta que vou levar nas próximas semanas.
✅ Pra levar dessa conversa
✓ Caminho corporativo ou fundador — não importa a origem, importa o que falta cobrir
✓ 3 habilidades inegociáveis: visão holística, foco em vendas, inteligência emocional
✓ Comitê demais é fuga da decisão — Apolinário matou 30 e voltou ao processo direto
✓ “Barriga no balcão” — CEO precisa estar onde a coisa acontece (50% com pessoas)
✓ Política interna é insustentável — KPIs claros e cobrados são o antídoto
✓ Empresa boa sobrevive 35 dias sem o CEO — empresa frágil pega fogo num dia
✓ Pivote rápido em crise — quem hesita morre, quem reescreve operação em semanas vence
Vale assistir na íntegra
2 horas com 4 CEOs falando sem filtro sobre dor, política, decisão sob pressão e o lado humano da cadeira.
